Operação contra lavagem de R$ 200 milhões cumpre 31 mandados em cinco estados Uma empresa registrada no ramo de armarinhos está entre os cinco negócios apontados pela Polícia Civil como fachadas usadas em um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 200 milhões em um ano. A informação foi divulgada em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (10), após a Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, deflagrarem a Operação Retirada.
A ação cumpriu 31 mandados de busca e apreensão em 13 cidades de cinco estados. A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e valores ligados aos investigados. Segundo o delegado do Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro (Neccold), Luis Fernando Dias de Oliveira, a investigação encontrou empresas de diferentes setores com movimentações incompatíveis com as atividades declaradas.
“Principalmente, tinha uma empresa do ramo de armarinhos, que movimentou muitos milhões de reais, empresas de tecnologia, empresas de engenharia”, detalhou. Segundo a investigação, os cinco CNPJs existiam no papel, mas não tinham atividade comercial de fato. “Elas não possuíam sede física, os seus sócios não tinham lastro financeiro que justificasse a manutenção dessas pessoas jurídicas”.
De acordo com o delegado, as empresas eram abertas para permitir a criação de contas bancárias e fazer o dinheiro circular. Grande parte delas ficou aberta por pouco tempo e já estava oficialmente encerrada. Durante as buscas, nenhuma foi encontrada funcionando nos endereços registrados.
Operação contra lavagem de R$ 200 milhões cumpre 31 mandados em cinco estados Polícia Civil/Divulgação Dinheiro passava por várias contas A investigação identificou pessoas que faziam depósitos em espécie nas contas das empresas. Depois, os valores eram transferidos para outras pessoas jurídicas. “Esses recursos não permaneciam ali, mas eram, sim, pulverizados para outras pessoas jurídicas”, disse o delegado.
Entre os principais depositantes, há pessoas com antecedentes por tráfico de drogas. Um dos alvos em Santa Catarina, que já estava preso por tráfico, também teria feito depósitos em uma das empresas. “A gente pode estar falando de empresas que promovam a lavagem de dinheiro de um tráfico em todo o território nacional”, destacou Oliveira.
Nesta quinta, os policiais apreenderam R$ 5 mil em espécie e diversos aparelhos eletrônicos. Também foram encontrados 40 comprovantes de depósitos que somam cerca de R$ 868,5 mil. Operação contra lavagem de R$ 200 milhões cumpre 31 mandados em cinco estados Polícia Civil/Divulgação Investigação começou com R$ 200 mil A apuração começou em julho de 2025, após a prisão de um casal por tráfico de drogas no Jardim do Trevo, em Campinas.
Entre as anotações apreendidas havia a palavra “retirada” junto com o endereço de uma mulher. No imóvel dela, no Jardim Nova Europa, os policiais encontraram R$ 200 mil em espécie e comprovantes de depósitos que somavam cerca de R$ 375 mil. Segundo o delegado, a mulher afirmou que o dinheiro era produto de agiotagem e que apenas guardava a quantia para um agiota.
Ela voltou a ser alvo de buscas nesta quinta-feira, mas não foi encontrada porque havia mudado de endereço. A Polícia Civil afirma que esta é a primeira fase da investigação. O material apreendido será analisado para identificar outros envolvidos e rastrear a origem e o destino do dinheiro.
Operação contra lavagem de R$ 200 milhões cumpre 31 mandados em cinco estados Polícia Civil/Divulgação Buscas em 13 cidades Os mandados foraram cumpridos em casas, escritórios e empresas ligados aos investigados.
As buscas ocorreram em: São Paulo: Campinas, Nova Odessa, São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul; Paraná: Curitiba, Sarandi e Umuarama; Santa Catarina: São João Batista; Rio de Janeiro: Rio de Janeiro e Niterói; Goiás: Goiânia VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas